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Joaçaba - uma decisão judicial inédita
 Ato contínuo - com o perdão da palavra -, o magistrado tirou a bunda da cadeira e, na última quarta-feira, acompanhou a demolição do imóvel de propriedade de Elói Hoffelder, localizado na Linha Antinha, interior do município de Joaçaba.
 
Santa Catarina recebe 2,7 mil toneladas mensais de lixo de outros estados PDF Imprimir E-mail
28 de julho de 2010
O recebimento de lixo de outros Estados é permitido por lei, mas deve ser fiscalizado pelo órgão ambiental estadual. Porém, isso não é feito de maneira adequada, admite o diretor de resíduos sólidos da Fundação do Meio Ambiente (Fatma), Luiz Antonio Garcia
Resíduos domiciliares e industrias chegam ao Estado e fiscalização é ineficiente

Além de ter de se preocupar com a destinação do lixo que gera — cerca de 3,6 mil toneladas são recolhidas por dia — Santa Catarina ainda recebe pelo menos outras 2.780 toneladas por mês, vindas do Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Mato Grosso.

São resíduos domiciliares e industriais, alguns considerados perigosos como lixo contaminado com óleos e tintas. Mas apesar do risco, não há um controle rígido sobre a entrada deste material no Estado. A situação preocupa entidades ambientalistas, que temem uma possível contaminação de solos e água.

O recebimento de lixo de outros Estados é permitido por lei, mas deve ser fiscalizado pelo órgão ambiental estadual. Porém, isso não é feito de maneira adequada, admite o diretor de resíduos sólidos da Fundação do Meio Ambiente (Fatma), Luiz Antonio Garcia:

— Não há mecanismos suficientes para acompanhar de perto a entrada do lixo em Santa Catarina. Os relatórios encaminhados pelas empresas mensalmente, com informações sobre o recebimento de resíduos, não são padronizados nem digitalizados.

Cinco empresas de aterro sanitário estão licenciadas para prestar o serviço, em Joinville, Chapecó, Rio Negrinho, Içara e Blumenau. Juntas, recebem quase 3 mil toneladas de lixo por mês.

A grande quantidade de lixo que vem para Santa Catarina e a falta de controle sobre estes resíduos preocupa ambientalistas. Eles alertam para os graves riscos que isto representa ao meio ambiente. Solventes, graxas, chumbos químicos e lâmpadas fluorescentes são alguns dos lixos industrias despejados no Estado.

O ambientalista Mario Mantovani, diretor de políticas públicas da fundação SOS Mata Atlântica, em São Paulo, acredita que a fiscalização dos materiais precisa ser rígida.

Ele recomenda que deveria existir um acompanhamento monitorado dos caminhões, porque alguns empresários podem entrar no Estado burlando os fiscais. Em alguns casos, o ambientalista conta que as empresas não justificam na nota fiscal o conteúdo da mercadoria. E acabam jogando os lixos em aterros legais ou ilegais.

— Algumas empresas são de fachada, sem controle. Só porque as entidades falaram que contrataram empresas com credenciais nacional e internacionais, não significa que ela jogou o lixo no destino certo — justifica Mario Mantovani.

Outra organização não governamental que acompanha o impasse de perto é a ONG FloripAmanhã. A presidente, Zema Becker, observa que Santa Catarina não tem capacidade de aproveitar a quantia gerada no Estado e não aposta em reciclagem correta. Para ela, permitir a entrada de resíduos de fora é prejudicial ao meio ambiente.

Antes de tudo, Zema acredita que deveria existir uma conscientização maior de como reutilizar e reciclar aqui na região, para depois receber resíduos de outros lugares. Outro fator negativo é não saber quais são os tipos de lixo, por falta de fiscalização dos responsáveis, na entrada de Santa Catarina.

Lei espera sanção do governador

A regulamentação dos resíduos industriais em Santa Catarina — e um maior controle sobre ele — só depende da assinatura do governador Leonel Pavan. O projeto 277/08 foi encaminhado pelo deputado Gelson Merísio e aprovado na Assembleia Legislativa.

O texto inicial proibia radicalmente qualquer lixo produzido em outro estado ter Santa Catarina como destino final. Mas a proposta passou por uma reformulação e o documento substituto impede a entrada apenas de resíduos radioativos e orgânicos que representem riscos fitossanitários para os rebanhos catarinenses e cria controle da circulação do lixo.

No cenário nacional, a situação não é diferente. O plenário do Senado aprovou, no dia 7 de julho, o Projeto de Lei 354/89, que cria a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), estabelecendo regras para tratamento do lixo no país. O projeto foi enviado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser sancionado.

O documento determina com prioridades a destino do lixo reutilização, reciclagem, tratamento e disposição final ambientalmente correta para o material que não puder ser reaproveitado. Fica proibida a criação de lixões, nos quais os resíduos são lançados a céu aberto, e dividida a responsabilidade do ciclo de vida dos produtos entre empresas, consumidores e poder público.

Fabricantes de agrotóxicos, pilhas, baterias e pneus, por exemplo, são obrigados a implementar formas de recolher os resíduos de sua atividade e encaminhá-los para a destinação correta. A PNRS cria ainda o Sistema Nacional de Informações sobre Gestão de Resíduos Sólidos (Sinir) e o Cadastro Nacional de Operadores de Resíduos Perigosos.

— A PNRS é o grande marco regulatório nacional, que se desdobrará em vários outros instrumentos legais, como decretos e resoluções, e administrativos, como planos de gestão, acordos setoriais e sistemas de gestão. É esse processo que trará os avanços concretos que todos desejamos — afirma o presidente da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos (Abetre), Diógenes Del Bel.

Fatma aponta vantagem dos aterros

Na opinião do diretor de resíduos da Fatma, a presença dos aterros sanitários no Estado pode ter vantagens. Uma delas é oferecer infraestrutura para outras indústrias que queiram se instalar em SC e precisem dar a destinação correta do lixo que resta de sua produção.

Para o presidente da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos (Abetre), Diógenes Del Bel, a atividade das empresas de aterro sanitário é extremamente necessária e beneficia o Estado com a geração de empregos quantos e impostos. Além disso, representa uma segurança no que diz respeito à destinação.

— O público se preocupa com o transporte, mas as empresas que fazem isso estão procurando a destinação adequada de seus resíduos. O que é fundamental é que esse transporte seja sempre acompanhado pelos órgãos ambientais, tanto na origem quanto no destino. É necessário ter sistemas informatizados para gerenciar essas informações — explica Diógenes.

De acordo com especialistas da área, o transporte de lixo entre estados é uma prática comum no país e acontece por uma questão tecnológica e de logística. Para uma empresa localizada no norte do Rio Grande do Sul, por exemplo, pode ser mais barato mandar o lixo para Chapecó que para outra cidade gaúcha que tenha aterro sanitário e fique mais distante.

Mas o procedimento deve ser feito mediante fiscalização, para evitar irregularidades. No ano passado, os integrantes do SOS Mata Atlântica fizeram uma força tarefa para acompanhar em São Paulo, a situação dos resíduos. Foram encontraram notas fiscais no meio do lixo que comprovaram algumas irregularidades. Alguns empreendimentos chegaram a ser multados.

Para evitar que a situação se repita em solo catarinense, a entidade ressalta a importância de se classificar o produto e descartar em terreno com estrutura apropriada. O ambientalista Mario Mantovani, diretor de políticas públicas da fundação SOS Mata Atlântica, alerta para situação vivida em Nápoles, na Itália, em meados de 2009.

— Não pode acontecer que nem foi em Nápoles. Todo mundo mandava descartar lixos lá. A demanda aqui pede atenção total, para não ficar fora de controle como ocorreu na Itália — afirma.

Na metade do ano passado, Nápoles passou por uma crise do lixo. Na época, a cidade estava com resíduos espalhados, ameaçando provocar uma crise sanitária. Os aterros estavam saturados e a crise coincidiu com a onda de calor. Com medo de doença, moradores atearam fogo e os bombeiros precisaram intervir.

Fonte: A Notícia

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